Cientistas desenvolvem técnica que pode criar células-tronco personalizadas
Descoberta abre caminho para a produção de células usando material genético do próprio doente, evitando rejeições
05 de outubro de 2011 | 22h 03
Uma equipe de cientistas de Nova York afirmou nesta quarta-feira que estão mais perto de conseguirem criar a chamada célula-tronco personalizada.
A técnica envolve pegar um óvulo humano e combiná-lo com uma célula de outra pessoa.
Segundo os pesquisadores, os resultados podem ser usados para tratar várias doenças, já que seria possível produzir, de maneira personalizada para cada paciente,células saudáveis para substituir as doentes.
Em um artigo para a revista científica Nature, a equipe Fundação de Células-Tronca do Nova York disse ter usado uma tecnologia de clone (chamada transferência de núcleos de célula somática) para criar células-tronco embrionária para combinar com o DNA específico de cada pessoa.
Potencial
As células-tronco têm um grande potencial na medicina, à medida que podem ser desenvolvidas em qualquer outro tipo de célula no corpo.
Ao se criar células do coração, por exemplo, talvez seja possível reparar os danos causados por um ataque cardíaco.
Já há alguns testes clínicos em curso. O primeiro feito com células-tronco embrionárias da Europa está sendo feito em Londres e é relacionado a um tratamento para a perda progressiva da visão.
O teste, porém, não usa as próprias células dos pacientes e por isso é necessário o uso de imunossupressores para evitar o risco de rejeição. E é por isso que o teste da equipe americana é tão importante.
Grupo: Marianne Meira, Lara Andrade, Thaís Norberto, Manuela Rocha, Igor Santos e Maria Luísa Cordeiro.
Corte da UE veta patente de células-tronco com embrião destruído
A decisão é relativa a um método inventado pela Universidade de Bonn para converter células-tronco embrionárias humanas em células nervosas
LUXEMBURGO - A lei europeia proíbe o patenteamento de qualquer processo que envolva a retirada de células-tronco e posterior destruição de um embrião humano, disse o principal tribunal da União Europeia nesta terça-feira, 18, numa sentença com profundas implicações para as pesquisas médicas.
A decisão é relativa a um método inventado por Oliver Bruestle, da Universidade de Bonn, para converter células-tronco embrionárias humanas em células nervosas.

Células-tronco são uma espécie de “manual de instruções” do organismo, capaz de dar origem a qualquer órgão e tecido. Os cientistas esperam que o trabalho com elas possa levar à cura de inúmeras doenças e lesões, do mal de Parkinson à cegueira e à paralisia.
“(O veredicto) significa que pesquisas fundamentais podem acontecer na Europa, mas que seus desdobramentos não podem ser implementados na Europa”, disse Bruestle. “Significa que pesquisadores europeus podem preparar essas coisas, mas outros colherão frutos nos EUA ou Ásia. Isso é muito lamentável.”
O julgamento tratou especificamente de células-tronco no estágio de blastocisto, pouco antes da implantação no útero, quando o embrião consiste de 80 a 100 células.
A Corte Europeia de Justiça (ECJ) disse que “um processo que envolva a retirada de uma célula tronco de um embrião humano no estágio de blastocisto, levando à destruição desse embrião, não pode ser patenteado”.
A corte afirmou que a decisão reflete a lei europeia, que protege embriões humanos, e cita o risco de que uma eventual patente afete “o respeito pela dignidade humana”.
Os embriões usados nas pesquisas são sobras dos tratamentos de fertilização, doados aos cientistas para as pesquisas.
A sentença de terça-feira, 18, decorre de um processo movido na Alemanha pelo Greenpeace, contestando uma patente registrada por Bruestle em 1997.
Um tribunal alemão considerou a patente inválida. Bruestle recorreu, e a Corte Federal de Justiça alemã decidiu consultar a CEJ. Em março, o advogado-geral Yves Bot entregou um parecer, que a CEJ acatou na terça-feira.
“Queríamos uma decisão fundamental sobre como a proteção de embriões humanos deve ser estendida sob a lei de patentes da UE”, disse Christoph Then, funcionário do Greenpeace, em Luxemburgo. “A corte (…) disse que a ética tem prioridade sobre os interesses comerciais.”
Fonte: Estadão
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Células-tronco são produzidas por clonagem
06 de outubro de 2011 | 3h 07
Pela primeira vez, cientistas usaram técnicas de clonagem para fazer com que óvulos humanos gerassem células-tronco embrionárias contendo genes de pacientes específicos. Trata-se de um avanço importante em direção ao objetivo de se criar células-tronco geneticamente compatíveis para o tratamento de doenças graves.
“Esse trabalho demonstra, pela primeira vez, que óvulos humanos possuem a habilidade de transformar uma célula especializada em célula-tronco”, afirmou Dieter Egli, da Fundação de Células-Tronco de Nova York, que liderou o estudo, descrito em artigo na revista Nature.
Até agora, cientistas só haviam conseguido produzir células geneticamente anormais, úteis apenas para fins de pesquisa. As células-tronco embrionárias podem, em tese, transformar-se em qualquer tecido do organismo. Portanto são consideradas uma fonte promissora de terapias regenerativas.
Mas, apesar de o trabalho de Egli e seus colegas ter evitado temores de que se estariam clonando seres humanos, ao produzir células com embriões não viáveis, ele gerou novas preocupações de ordem ética, em um campo já bastante polêmico. Isso porque, pela primeira vez, cientistas pagaram mulheres pelos seus óvulos - o que pode estimular acusações de exploração.
Além disso, para chegar a essas células, os pesquisadores tiveram de produzir e destruir embriões mutantes, o que dá vazão a críticas de ordem moral. Entretanto, os pesquisadores responsáveis e colegas que não participaram do estudo afirmam que o trabalho é eticamente defensável, por seu potencial de curar o sofrimento de pacientes.
Opositores desse tipo de pesquisa questionaram não apenas a moralidade do experimento, mas também o seu valor científico. “Não acreditamos que se deva criar novos seres, por meio desse processo de clonagem, para depois destruí-los e coletar suas células”, afirmou David Prentice, do Family Research Council, grupo conservador cristão dos Estados Unidos.
Mesmo quem apoia o estudo das células-tronco se disse desconfortável pelo fato de óvulos terem sido comercializados. “Pagar por órgãos é controverso”, disse Jonathan Moreno, professor de bioética da Universidade de Pensilvânia. “Sempre senti que seria melhor deixar esse campo fora dessas áreas de debate. Já temos problemas demais.” / N.Y. TIMES E WASHINGTON POST
Fonte: Estadão
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Pesquisa testará tratamento de esclerose múltipla com células-troncoEspecialistas esperam que as células-tronco sejam capazes de reparar danos no cérebro
Londres - Um grande teste clínico analisará o possível tratamento da esclerose múltipla (EM) com células-tronco, a fim de estabelecer se elas podem conter e inclusive reverter o dano cerebral ocasionado pela doença.
A pesquisa, na qual participarão 200 pacientes de todo o mundo, será liderada por cientistas do Imperial College de Londres, que receberam fundos da Sociedade de EM e da Fundação de Células-Tronco do Reino Unido para começar o teste no final deste ano.
Os especialistas tomarão células-tronco da medula óssea dos pacientes, depois as tratarão em laboratório e voltarão a injetar na corrente sanguínea, segundo os detalhes do teste divulgados nesta sexta-feira no Reino Unido.
Os pesquisadores esperam que as células-tronco encontrem um caminho até o cérebro para que possam reparar o dano causado pela EM, uma doença que causa lesões crônicas no sistema nervoso central e cujas causas são desconhecidas.
O pesquisador chefe deste estudo no Imperial College, Paolo Muraro, disse nesta sexta-feira que esta é a primeira vez que os especialistas se unem para provar células-tronco em pacientes com esclerose múltipla em um teste de grande escala.
Os cientistas trabalharão em laboratórios em Londres e Edimburgo, onde cultivarão as células-tronco.
“O projeto de pesquisa de Muraro representa o primeiro teste deste tipo feito pelo Reino Unido sobre o uso de células-tronco para o tratamento de EM”, afirmou nesta sexta-feira o presidente da Fundação de Células-Tronco do Reino Unido.
Fonte: Estadão
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Sistema reduz risco de câncer em células-tronco artificiais
A descoberta abre novas perspectivas na medicina regenerativa ao reduzir um dos maiores riscos dessa terapia
TÓQUIO - Pesquisadores da Universidade de Kioto, no Japão, deenvolveram um novo sistema para criar células-tronco artificiais que reduz o risco de se elas tornarem cancerígenas, informa nesta quinta-feira o jornal econômico local Nikkei.
A descoberta, que será publicada na revista científica Nature, abre novas perspectivas na medicina regenerativa ao reduzir o que atualmente representa um dos maiores riscos do uso das células-tronco artificiais neste campo.
A pesquisa foi realizada por uma equipe de pesquisadores que inclui Shinya Yamanaka, médico especialista em cirurgia ortopédica, em colaboração com o Instituto Nacional de Ciência Industrial e Tecnologia Avançada (AIST) do Japão.
Em 2006, Yamanaka conseguiu gerar as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas - ou células iPS (na sigla em inglês) - que possuem a capacidade de se transformar em qualquer tipo celular especializado, uma descoberta que lhe valeu vários reconhecimentos, entre eles o prestigioso Prêmio Shaw.
Até a divulgação do trabalho de Yamanaka, os pesquisadores achavam que esta habilidade era exclusiva das células-tronco embrionárias.
O problema, no entanto, era que as células iPS tornavam-se cancerígenas em muitas situações após se desenvolverem em diferentes tipos de tecidos, o que representava um empecilho para seu uso na medicina regenerativa.
A nova descoberta foi feita depois que os cientistas revisaram mais de 1,4 mil genes com a ajuda da base de dados do AIST para substituir o fator que associava as células iPS ao câncer.
Dessa forma, eles encontraram o chamado Glis1, definido pelo próprio Yamanaka como “o gene mágico”, que significará, em suas palavras, “um grande passo adiante para as aplicações clínicas”. Além de reduzir o risco de câncer, o Glis1 pode gerar células iPS de um modo dez vezes mais eficiente que antes.
Os cientistas acreditam que as células iPS possam se desenvolver em tecidos humanos e órgãos, o que daria um grande impulso à ciência regenerativa.
No entanto, os pesquisadores indicaram que, embora o risco diminua, outros genes que intervêm no processo podem provocar câncer. Por isso, as pesquisas que buscam reduzir tais riscos devem continuar.
Fonte: Estadao
Grupo: Marianne Meira, LaraAndrade, Thaís Norberto, Manuela Rocha, Igor Santos e Maria Luísa Cordeiro.