Terapias Genéticas

Para ciência e mercado, transgênicos são irreversíveis e estão chegando à segunda geração
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Passados mais de 30 anos da modificação da bactéria Escherichia coli para produção de insulina e 16 anos do anúncio da soja transgênica, o mercado e a ciência ampliam o uso dos organismos geneticamente modificado (OGMs) e avaliam que uma nova geração de transgênicos está surgindo.
A promessa da engenharia genética é a de que a tecnologia aumente o número de vacinas, enriqueça os alimentos e diminua o impacto ambiental no campo e nas cidades. Segundo a Sociedade Brasileira de Genética (SBG), com a transgenia é possível, por exemplo, fabricar sabão com bactérias geneticamente modificadas e ter um produto menos poluente que retira apenas a gordura da roupa sem desgastar o tecido.
Outro exemplo está na a indústria têxtil que agora com um algodão geneticamente modificado pode fabricar o jeans desbotado sem utilizar o ácido que provocava o efeito stonewashing, mas contaminava o meio ambiente. No Japão, cientistas estudam a aplicação dos genes das aranhas relativos à produção de teias em bichos-da-seda, para que a indústria possa fabricar meia-calça mais resistente e mais flexível.
Conquistas como essas fazem da transgenia “um processo irreversível”, segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner. Ele avalia que há uma demanda crescente nas lavouras por OGMs, o que tem possibilitado aumento de renda dos produtores. Em sua opinião, além do mercado, a sociedade se beneficia com a tecnologia. Segundo ele, a nova geração de alimentos transgênicos terá a adição de vitaminas, sais minerais e ômega 3.
Marcio de Castro Silva Filho, do Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), confirma que esses produtos devem chegar ao mercado até o final da década. Ele acredita que o barateamento da tecnologia alimenta o progresso. “Quem imaginaria que hoje está se determinando a sequência do genoma de uma espécie de planta com o custo na ordem de milhares de dólares, sendo que há poucos anos o custo era na casa de bilhões de dólares?”.
O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Francisco Aragão, um dos responsáveis pela primeira semente de feijão transgênico, acrescenta que “já há estudos de biossegurança para o desenvolvimento de espécies de feijão e de soja que necessitam de menos água no cultivo”. Segundo ele, também está em desenvolvimento uma espécie de alface enriquecida com ácido fólico, prescrito pelos médicos para o pré-natal para evitar a anemia.
Além desses produtos, o presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Edilson Paiva, lembra que já foram aprovados na comissão o uso do microrganismo que transforma a sacarose da cana-de-açúcar em biodesel e a alteração genética do Aedes aegypti para que o seu descendente não consiga se reproduzir. Ele vislumbra que a nova geração de transgênicos utilizará plantas para produzir hormônio de crescimento, fatores de coagulação e até antígenos contra o câncer.
“Nós estamos vendo somente a ponta do iceberg. Nós vamos ter que manter a mente e o coração abertos porque vamos ter que mudar vários conceitos e tabus que nós temos”, diz Paiva. Marcio de Castro Silva Filho, da Esalq, concorda e aponta que “houve um notável avanço tanto na descoberta de novas informações, como também no uso de instrumentos e desenvolvimento de equipamentos que permitiram uma série de possibilidades que eram inimagináveis em um cenário de 20 anos atrás”.
Segundo a CTNBio, 29 países plantam sementes transgênicas em uma área acumulada em 15 anos de 1 bilhão de hectares (maior que a China). No ano passado, a área plantada em todo mundo foi 150 milhões de hectares. As lavouras foram trabalhadas por 14,4 milhões de agricultores, nove de cada dez envolvidos eram agricultores familiares.
Grupo: Brunna Barros, Carina Sucro, Daniel Cunha, Felipe Barros e Pedro Teixeira.


31 October
4:08pm


1 year ago
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Células Tronco

Cientistas desenvolvem técnica que pode criar células-tronco personalizadas
Descoberta abre caminho para a produção de células usando material genético do próprio doente, evitando rejeições
05 de outubro de 2011 | 22h 03
Uma equipe de cientistas de Nova York afirmou nesta quarta-feira que estão mais perto de conseguirem criar a chamada célula-tronco personalizada.
A técnica envolve pegar um óvulo humano e combiná-lo com uma célula de outra pessoa.
Segundo os pesquisadores, os resultados podem ser usados para tratar várias doenças, já que seria possível produzir, de maneira personalizada para cada paciente,células saudáveis para substituir as doentes.
Em um artigo para a revista científica Nature, a equipe Fundação de Células-Tronca do Nova York disse ter usado uma tecnologia de clone (chamada transferência de núcleos de célula somática) para criar células-tronco embrionária para combinar com o DNA específico de cada pessoa.
Potencial
As células-tronco têm um grande potencial na medicina, à medida que podem ser desenvolvidas em qualquer outro tipo de célula no corpo.
Ao se criar células do coração, por exemplo, talvez seja possível reparar os danos causados por um ataque cardíaco.
Já há alguns testes clínicos em curso. O primeiro feito com células-tronco embrionárias da Europa está sendo feito em Londres e é relacionado a um tratamento para a perda progressiva da visão.
O teste, porém, não usa as próprias células dos pacientes e por isso é necessário o uso de imunossupressores para evitar o risco de rejeição. E é por isso que o teste da equipe americana é tão importante.
Grupo: Marianne Meira, Lara Andrade, Thaís Norberto, Manuela Rocha, Igor Santos e Maria Luísa Cordeiro.


31 October
4:04pm


1 year ago
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Terapias Genéticas

Portugueses procuram prevenir doenças genéticas e cancro
Uma recente investigação portuguesa, publicada na revista científica Nucleic Acids Research, tem por objectivo “estudar a base molecular de algumas doenças genéticas e cancro com o objectivo de produzir conhecimento que ajude no desenvolvimento de terapias inovadoras”, explica Luísa Romão ao Ciência Hoje.

Segundo a investigadora, nas células humanas, o processo de expressão dos genes envolve múltiplos passos, desde o aparecimento do RNA mensageiro (mRNA) por transcrição a partir de um gene, à sua tradução em proteínas e à sua degradação.
Assim, a equipa que lidera pretende “estudar de que modo determinadas mutações – as mutações nonsense – associadas a diferentes doenças genéticas e ao cancro podem afectar a vida do mRNA”.
A ideia para este trabalho desenvolvido no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em Lisboa, surgiu do facto de se saber que, em geral, “as mutações nonsense dão origem a níveis anormalmente baixos de RNA mensageiro nas células dos doentes com uma hemoglobinopatia”, muito frequente na região mediterrânica, incluindo o Sul de Portugal, afirma ao CH a especialista em Genética Humana e Biologia Molecular.
O estudo pode “contribuir para o conhecimento da causa molecular de doenças genéticas e cancro bem como dos respectivos mecanismos”, afirma Luísa Romão. “Estes conhecimentos podem servir de base para o desenvolvimento mais racional de terapias inovadoras”, acrescenta.
Os próximos passos na investigação passam por identificar proteínas e o seu modo de actuação em diferentes aspectos do processo da síntese proteica, nomeadamente na iniciação da tradução do mRNA, assim como proteínas envolvidas no controlo de qualidade da expressão génica.

Grupo:  Vitor Becker, Gabriel Freitas, Elias Jorge, Eva Pinheiro, Mainara Santos e Thalita Teles.


24 October
7:05pm


1 year ago
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Células Tronco

Corte da UE veta patente de células-tronco com embrião destruído
A decisão é relativa a um método inventado pela Universidade de Bonn para converter células-tronco embrionárias humanas em células nervosas


LUXEMBURGO - A lei europeia proíbe o patenteamento de qualquer processo que envolva a retirada de células-tronco e posterior destruição de um embrião humano, disse o principal tribunal da União Europeia nesta terça-feira, 18, numa sentença com profundas implicações para as pesquisas médicas.
A decisão é relativa a um método inventado por Oliver Bruestle, da Universidade de Bonn, para converter células-tronco embrionárias humanas em células nervosas.

Células-tronco são uma espécie de “manual de instruções” do organismo, capaz de dar origem a qualquer órgão e tecido. Os cientistas esperam que o trabalho com elas possa levar à cura de inúmeras doenças e lesões, do mal de Parkinson à cegueira e à paralisia.

“(O veredicto) significa que pesquisas fundamentais podem acontecer na Europa, mas que seus desdobramentos não podem ser implementados na Europa”, disse Bruestle. “Significa que pesquisadores europeus podem preparar essas coisas, mas outros colherão frutos nos EUA ou Ásia. Isso é muito lamentável.”
O julgamento tratou especificamente de células-tronco no estágio de blastocisto, pouco antes da implantação no útero, quando o embrião consiste de 80 a 100 células.
A Corte Europeia de Justiça (ECJ) disse que “um processo que envolva a retirada de uma célula tronco de um embrião humano no estágio de blastocisto, levando à destruição desse embrião, não pode ser patenteado”.
A corte afirmou que a decisão reflete a lei europeia, que protege embriões humanos, e cita o risco de que uma eventual patente afete “o respeito pela dignidade humana”.
Os embriões usados nas pesquisas são sobras dos tratamentos de fertilização, doados aos cientistas para as pesquisas.
A sentença de terça-feira, 18, decorre de um processo movido na Alemanha pelo Greenpeace, contestando uma patente registrada por Bruestle em 1997.
Um tribunal alemão considerou a patente inválida. Bruestle recorreu, e a Corte Federal de Justiça alemã decidiu consultar a CEJ. Em março, o advogado-geral Yves Bot entregou um parecer, que a CEJ acatou na terça-feira.
“Queríamos uma decisão fundamental sobre como a proteção de embriões humanos deve ser estendida sob a lei de patentes da UE”, disse Christoph Then, funcionário do Greenpeace, em Luxemburgo. “A corte (…) disse que a ética tem prioridade sobre os interesses comerciais.”

Fonte: Estadão
Grupo: Marianne Meira, Lara Andrade, Thaís Norberto, Manuela Rocha, Igor Santos e Maria Luísa Cordeiro.


24 October
4:40pm


1 year ago
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Células Tronco

Células-tronco são produzidas por clonagem
06 de outubro de 2011 | 3h 07
Pela primeira vez, cientistas usaram técnicas de clonagem para fazer com que óvulos humanos gerassem células-tronco embrionárias contendo genes de pacientes específicos. Trata-se de um avanço importante em direção ao objetivo de se criar células-tronco geneticamente compatíveis para o tratamento de doenças graves.
“Esse trabalho demonstra, pela primeira vez, que óvulos humanos possuem a habilidade de transformar uma célula especializada em célula-tronco”, afirmou Dieter Egli, da Fundação de Células-Tronco de Nova York, que liderou o estudo, descrito em artigo na revista Nature.
Até agora, cientistas só haviam conseguido produzir células geneticamente anormais, úteis apenas para fins de pesquisa. As células-tronco embrionárias podem, em tese, transformar-se em qualquer tecido do organismo. Portanto são consideradas uma fonte promissora de terapias regenerativas.
Mas, apesar de o trabalho de Egli e seus colegas ter evitado temores de que se estariam clonando seres humanos, ao produzir células com embriões não viáveis, ele gerou novas preocupações de ordem ética, em um campo já bastante polêmico. Isso porque, pela primeira vez, cientistas pagaram mulheres pelos seus óvulos - o que pode estimular acusações de exploração.
Além disso, para chegar a essas células, os pesquisadores tiveram de produzir e destruir embriões mutantes, o que dá vazão a críticas de ordem moral. Entretanto, os pesquisadores responsáveis e colegas que não participaram do estudo afirmam que o trabalho é eticamente defensável, por seu potencial de curar o sofrimento de pacientes.
Opositores desse tipo de pesquisa questionaram não apenas a moralidade do experimento, mas também o seu valor científico. “Não acreditamos que se deva criar novos seres, por meio desse processo de clonagem, para depois destruí-los e coletar suas células”, afirmou David Prentice, do Family Research Council, grupo conservador cristão dos Estados Unidos.
Mesmo quem apoia o estudo das células-tronco se disse desconfortável pelo fato de óvulos terem sido comercializados. “Pagar por órgãos é controverso”, disse Jonathan Moreno, professor de bioética da Universidade de Pensilvânia. “Sempre senti que seria melhor deixar esse campo fora dessas áreas de debate. Já temos problemas demais.” / N.Y. TIMES E WASHINGTON POST

Fonte: Estadão
Grupo: Marianne Meira, Lara Andrade, Thaís Norberto, Manuela Rocha, Igor Santos e Maria Luísa Cordeiro.


17 October
4:32pm


1 year ago
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